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O boletim da APA não chega desde 21 de setembro de 2026. O que vê aqui é desse dia, não de hoje. Porquê

De onde vêm os números

Tudo o que este sítio mostra vem de duas fontes públicas, e nenhuma delas é este sítio. Aqui explica-se qual é cada uma, o que se calcula por cima e —o que quase nunca se escreve— o que se sabe que falta ou está mal.

O boletim semanal da APA

O número grande de cada página vem do Boletim Semanal de Albufeiras da Agência Portuguesa do Ambiente, que publica todas as semanas o volume armazenado de 77 albufeiras e a sua capacidade. O boletim que se mostra agora é o de 21 de setembro de 2026.

A capacidade vem em decâmetros cúbicos e aqui passa a hectómetros, que é como fala o resto do sítio e como a publica o boletim espanhol: um hectómetro cúbico é mil decâmetros, e é um milhão de metros cúbicos.

A infografia das primeiras páginas do boletim traz, além do volume, a média histórica de armazenamento de cada albufeira para o mês em curso, calculada sobre os anos hidrológicos de 1990/91 a 2023/24. É o número que aqui se chama «normal em setembro», e é o que permite dizer se uma albufeira está baixa de verdade ou está como costuma estar nesta altura do ano. Uma albufeira de rega do Alentejo em setembro está vazia porque é setembro, não porque falte água.

A série mensal do SNIRH

Os gráficos de doze anos —o de cada albufeira e o de cada bacia— vêm do SNIRH, o Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos, que publica o armazenamento do último dia de cada mês. É outra fonte e outro dia: por isso o desenho e o número grande da mesma página não coincidem ao decimal, e não é um erro.

Nem todas as albufeiras do boletim semanal estão no SNIRH. Quando uma não está, o gráfico que se mostra é o da sua bacia, e diz-se que é o da bacia: mostrar o da bacia e intitulá-lo «doze anos desta albufeira» seria a tentação fácil.

O que se calcula aqui

Pouco, e sempre somando o que a APA publica:

  • O total de Portugal é a soma dos volumes das 77 albufeiras sobre a soma das suas capacidades. Não é a média dos seus percentagens: isso faria o Lucefecit pesar tanto como o Alqueva.
  • A média do país é a das albufeiras ponderada pela capacidade, pela mesma razão.
  • Cada bacia, igual: soma de volumes sobre soma de capacidades. A média histórica da bacia, essa não se calcula — publica-a a APA.
  • A diferença face ao normal são pontos percentuais, não por cento de variação: uma albufeira a 60% com um normal de 45% está 15 pontos acima.

Portugal e Espanha não se somam

As albufeiras portuguesas não entram na reserva de Espanha nem na de nenhuma bacia espanhola, e as espanholas não entram aqui. São dois boletins distintos, com calendários e critérios distintos, e misturá-los daria um número que não bate certo com nenhum dos dois oficiais.

O Douro, o Tejo e o Guadiana são a mesma bacia dos dois lados da raia: nascem em Espanha e desaguam em Portugal. Nenhum boletim os olha inteiros. Nas páginas dessas três bacias mostram-se as duas metades uma ao lado da outra, cada uma com a sua data, que é o mais perto da bacia inteira a que se pode chegar honestamente.

Onde está cada albufeira

As coordenadas não vêm do boletim: vêm da Wikidata, consultada uma vez e guardada, porque uma barragem não muda de sítio de semana para semana. 3 das 77 não estão lá e por isso não aparecem no mapa: Capinha, Monte Gato, Monte Migueis.

As fotografias vêm de Wikimedia Commons, com o autor e a licença de cada uma na ficha. Hoje há 58 das 77 com fotografia livre.

O que se sabe que falta

Esta lista está aqui porque um sítio de dados que só conta o que tem bem não é um sítio de dados:

  • 19 albufeiras sem fotografia. Não há nenhuma livre na Wikimedia Commons, e pôr uma que não seja livre seria incumprir a licença.
  • 3 sem coordenadas. Não aparecem no mapa. São pequenas, de rega, e a Wikidata não as tem.
  • Não há série semanal por albufeira. O boletim da APA é um PDF por semana e não publica um histórico legível por máquina: o que se guarda aqui começa no dia em que este sítio começou a olhar. A série mensal do SNIRH tapa parte desse buraco, mas é mensal e não cobre todas.
  • A média histórica é do mês, não da semana. A APA publica-a mensal; o boletim espanhol publica a sua semanal. Comparar um dado de 21 de setembro com a média de setembro inteiro é o que há, e é o que se diz.

Quando um boletim não chega

Se a fonte se atrasa, as páginas não inventam nada nem apagam o que havia: mostram o último dado bom e põem em cima um aviso com a data. Um dado velho etiquetado é útil; um dado velho sem etiquetar é uma mentira.

E o resto

Esta página cobre o lado português. O lado espanhol —o boletim do MITECO, os oito encoros de Augas de Galicia, a seca oficial— está explicado no método de embalses.org, em castelhano. Os dados em cru estão em descarregar os dados.